Quem governa por redes sociais acaba sendo governado por elas

“Há tempo já não é mais possível acreditar em nada que existe em mídia social”
“Quem governa por rede sociais acaba sendo governado por elas”. Essas foram as declarações de Ronaldo Lemos, professor das Universidade de Columbia. Criador do Marco Civil da Internet, é considerado o maior especialista brasileiro em mídia, tecnologia e internet do mundo.
Segundo Lemos, a Rede Social, que não deve ser interpretada como internet, é uma ferramenta de mão dupla, que ao contrário que se pensa, ela ajuda a desconstruir a imagem que foi inventada, transformando-se em prisioneiro de sua própria fantasia idealizada, sendo obrigado imperceptivelmente a se comportar de acordo com a imagem que passa a ser imposta pela própria rede social.
Ronaldo Lemos cita, dentre outras questões, sobre as tomadas de decisões e a forma de se comunicar dos agentes políticos, com vista a priorizar os likes de suas redes sociais na busca de construir ou manter a sua marca idealizada do Eu, ocasionando a instabilidade política de seu governo, como vem acontecendo com Jair Bolsonaro, diante das suas impetuosas declarações, e acrescenta:
FDF “A rede social é a antítese da estabilidade. Ela tem a capacidade imensa de provocar crises, desentendimentos, julgamentos públicos e linchamentos, recentemente ocorrido na Índia. Utilizar a Rede Social para apagar incêndio é jogar gasolina ao invés de agua. Governar por Rede Sociais faz com que você aumente a instabilidade. E quem governa dessa forma acaba sendo governado por isso”.
Se não bastasse o equívoco em se tornar prisioneiro de sua própria imagem, há tempo já não é mais possível acreditar em nada que existe em mídia social. Lemos se refere à estrutura organizada criada há muito tempo, compostas por algoritmos e pessoas contratadas para propagar determinados temas em nome da opinião pública, dando a aparência de que todo mundo está falando sobre aquilo.
Outro ponto bastante contundente defendido por Lemos, é confundir Rede Social com Opinião Pública. São coisas completamente distintas, afirma. A opinião que se tem em rede social está à venda, por meio dessas estruturas organizadas que utilizam robôs, blogs e personagens (artistas e influenciadores digitais) que recebem dinheiro para falar online de acordo com a pauta, criando assim os movimentos, as comoções, dando a aparência de veracidade.
É justamente aqui que ocorre o maior erro dos agentes políticos ao se utilizarem dos respectivos likes ou comentários positivos dos movimentos que foram virilizados como parâmetro global de Opinião Pública, deduzindo que as suas ações, que por diversas vezes foram decididas no mundo fantasioso da Rede Social, estão sendo respaldadas pela maioria da população.
Leandro Rico Moyano *
Especialista em Administração e Marketing, Gestão Pública e Controle com Foco em Resultados pela Escola de Contas do TCE-MG. Consultor pelo Sebrae para a formação de Consórcios Intermunicipais Multifinalitário e Inteligência da Informação.